Um dos quadros pendurados na parede em frente a escada estava torto.
Não é um acontecimento raro, afinal, na frequentes limpezas da casa, era comum que os quadros saíssem do lugar. Acharia estranho se não saíssem.
Me sentei na escada, de frente pros três quadros, para tirar os sapatos depois de uma dia cheio.
Reparei que os três, apesar de feitos por pessoas diferentes, tinham elementos parecidos. E molduras parecidas. Apesar da recente pintura da parede atrás deles, os quadros continuavam a parecer pertencer a sala. Um deles, uma praia. O outro, um castelo. O terceiro e maior, uma montanha pintada pelo anoitecer a seu redor.
Esses três elementos sempre foram, para mim, sinônimo de casa. Me coloquei a pensar em tudo que tinha acontecido no dia, na semana. O quadro, torto na parede, não pareceu ter importância perto de tanto problema. Eu tinha a sensação que não havia evoluído em nada desde a última vez que sentei naquela mesma escada de madeira velha que rangia - apenas para os que eram moradores, nunca para as visitas.
Tudo na minha vida parecia ter fugido do meu controle. Eu parecia não sei mais dono de mim, dos meus pensamentos e até os rangidos da escada pareciam menos reconfortantes.
Meus sapatos conversavam baixinho com o chão, que se aquecia com seu calor de recém-usado. O quadro continuava torto. Eu continuava sentado na escada, massageando meus pés doloridos e me sentindo vazio. Me sentia como o quadro. Errado. Torto. Desajeitado.
Achava que era assim que eu parecia para aqueles ao meu redor. Algo sem controle de si mesmo, que pode ser manuseado a qualquer gosto que for. Uma paisagem. Algo que fica entre seus olhos e a parede.
E por pensar assim, assim me senti. Um empecilho entre as pessoas que de mim gostavam e as minha ambições.
Decidi que não ia concertar o quadro. Como eu, ele não merecia o aborrecimento.
Mas antes da ideia amadurecer na minha cabeça, um sorriso tímido que recebi no parque me veio a cabeça. Não me lembrava o rosto da garota. Só me lembrei que nossos olhos se cruzaram momentaneamente e ela sorriu docemente.
Levantei, peguei meus sapatos e concertei o quadro.
Mais importante que isso, eu quis concertá-lo. Eu tinha controle da minha vida novamente. Agora, não era algo no meio de muitas coisas maiores ou mais importantes. Eu era eu, o quadro estava no lugar, meus problemas eram apenas problemas.
Resolvi um deles.
Tudo que precisava era uma mudança de perspectiva. Um quadro torto, uma porta emperrada, uma comida queimada, qualquer coisa que não estivesse bem para que eu pudesse ver que não sou só eu que tenho problemas. E que nenhum problema faz de alguém menos pessoa.
Afinal, o quadro estava torto, mas a montanha não ligava.
Eu alinhei o quadro e ele me concertou. E mantemos essa rotina sempre, nos encontros da escada que range.
segunda-feira, 29 de julho de 2013
sexta-feira, 5 de julho de 2013
Joker. Ysmaliwr. Fear na gcrúb
O coringa.
Sabiamente pisando descalço num caminho buscando conhecimento. Não o conhecimento intelectual, mas aquele cachorro selvagem do conhecimento animal.
Tudo que brilha é eternamente brilhante a esses olhos. Chamar atenção é a intenção.
Digno de uma inteligencia intuitiva, fresca, crua. Tão crua que é uma loucura.
Eternamente pulando de precipícios, sempre com a certeza de que não se machucará. Saindo da boca de crocodilos sem um arranhão, pulando de provocação em provocação sem sequer um corte na mão.
Nunca atrás de cortinas ou panos. O cenário desaparece. O coringa é o protagonista de todas as histórias. Da dele e dos outros.
É grande. Não quando brilha, mas porque brilha.
O palco sempre foi dele, sempre será. Não teria como gostar de outro modo de vida.
Sempre a beira do cais, sendo várias pessoas. Guardando o verdadeiro para si.
Suas brincadeiras são maldosas. Mas justas. Não existe coringa que faça sua traquinagem a quem não merece.
O coringa lidera correndo o caminho. Seguem-o os sábios e os que conseguem.
Os coringas são pessoas grandes. Daquelas que nunca foram pequenas, pois o que eram por dentro não cabia na casca.
O coringa é o começo e o fim, qual dos dois só ele sabe.
Não tem donos, não gostam dessa lama.
Se sentam as mesas reais, todas enfeitadas com pratos e talheres reluzentes. Tudo que possa refletir seu brilho.
Tudo a sua volta é eternamente lindo, enquanto o reflete.
Vermelho, muito vermelho. Não para chamar a atenção, mas para manter, para instigar, para que vejam o brilho.
Todo o seu ser é divino, intocável, ilimitado, exuberante. Nada nem ninguém segura um coringa.
O coringa pisa seus pés descalços e decididos em todos que são foscos. E perto dele, todos são.
Louco, é o que dizem.
Sábio, é o que sou.
Sabiamente pisando descalço num caminho buscando conhecimento. Não o conhecimento intelectual, mas aquele cachorro selvagem do conhecimento animal.
Tudo que brilha é eternamente brilhante a esses olhos. Chamar atenção é a intenção.
Digno de uma inteligencia intuitiva, fresca, crua. Tão crua que é uma loucura.
Eternamente pulando de precipícios, sempre com a certeza de que não se machucará. Saindo da boca de crocodilos sem um arranhão, pulando de provocação em provocação sem sequer um corte na mão.
Nunca atrás de cortinas ou panos. O cenário desaparece. O coringa é o protagonista de todas as histórias. Da dele e dos outros.
É grande. Não quando brilha, mas porque brilha.
O palco sempre foi dele, sempre será. Não teria como gostar de outro modo de vida.
Sempre a beira do cais, sendo várias pessoas. Guardando o verdadeiro para si.
Suas brincadeiras são maldosas. Mas justas. Não existe coringa que faça sua traquinagem a quem não merece.
O coringa lidera correndo o caminho. Seguem-o os sábios e os que conseguem.
Os coringas são pessoas grandes. Daquelas que nunca foram pequenas, pois o que eram por dentro não cabia na casca.
O coringa é o começo e o fim, qual dos dois só ele sabe.
Não tem donos, não gostam dessa lama.
Se sentam as mesas reais, todas enfeitadas com pratos e talheres reluzentes. Tudo que possa refletir seu brilho.
Tudo a sua volta é eternamente lindo, enquanto o reflete.
Vermelho, muito vermelho. Não para chamar a atenção, mas para manter, para instigar, para que vejam o brilho.
Todo o seu ser é divino, intocável, ilimitado, exuberante. Nada nem ninguém segura um coringa.
O coringa pisa seus pés descalços e decididos em todos que são foscos. E perto dele, todos são.
Louco, é o que dizem.
Sábio, é o que sou.
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