domingo, 23 de fevereiro de 2014

Writing Prompt

Today's writing prompt was actually too close for comfort. I got "Write hard and clear about what hurts.". I guess here we go. 

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Creative Writing Prompts - Day 1

First thing, to explain: I picked up some prompts on tumblr and found a site i liked (http://www.creativewritingprompts.com/). I won't post daily, so the "days" are just a way of keeping track on what number I'm doing. I took on the liberty of changing it a bit, so I'm doing this on a object that I no longer have contact with, since it was the first one that came in mind. So, that's that. 


The old shoes remained beside the door for days. The old leather shoes were old, but still as beautiful as the day when it was bought, just like it's owner. Sadly, the pair of oxford shoes were abandoned now that their user was gone. Untouched by those who lived in the house, but not forgoten. The little blue eyed boy cried everytime he looked at them, but refused to let anyone take them away.
Those shoes were present while the broken family returned home, unusually quiet. If shoes had feelings, it could be said that they were mourning. Turned to a darker kind of brown, even.
When the family left, it stayed behind. The pair of sad oxford shoes saw that none of the children that came home on that terrible day wanted to leave. They saw the hurt and the emptiness in each of the boys that left the house, each with a suitcase.
Before leaving, the blue eyed one gave them a last tormented look. It was a goodbye. And it hurts more than it should, as this one was forever.





So, I actually picked up my father's shoes, because he only had one pair. Believe me, he would not let go of those shoes. I don't think this scene actually happened, but it was the first thing that I thought of. I actually disrespected the prompt completely so, yeah, sorry.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Sobre moldes, modelos, molduras e perspectivas.

Um dos quadros pendurados na parede em frente a escada estava torto.
Não é um acontecimento raro, afinal, na frequentes limpezas da casa, era comum que os quadros saíssem do lugar. Acharia estranho se não saíssem.
Me sentei na escada, de frente pros três quadros, para tirar os sapatos depois de uma dia cheio.
Reparei que os três, apesar de feitos por pessoas diferentes, tinham elementos parecidos. E molduras parecidas. Apesar da recente pintura da parede atrás deles, os quadros continuavam a parecer pertencer a sala. Um deles, uma praia. O outro, um castelo. O terceiro e maior, uma montanha pintada pelo anoitecer a seu redor.
Esses três elementos sempre foram, para mim, sinônimo de casa. Me coloquei a pensar em tudo que tinha acontecido no dia, na semana. O quadro, torto na parede, não pareceu ter importância perto de tanto problema. Eu tinha a sensação que não havia evoluído em nada desde a última vez que sentei naquela mesma escada de madeira velha que rangia - apenas para os que eram moradores, nunca para as visitas.
Tudo na minha vida parecia ter fugido do meu controle. Eu parecia não sei mais dono de mim, dos meus pensamentos e até os rangidos da escada pareciam menos reconfortantes.
Meus sapatos conversavam baixinho com o chão, que se aquecia com seu calor de recém-usado. O quadro continuava torto. Eu continuava sentado na escada, massageando meus pés doloridos e me sentindo vazio. Me sentia como o quadro. Errado. Torto. Desajeitado.
Achava que era assim que eu parecia para aqueles ao meu redor. Algo sem controle de si mesmo, que pode ser manuseado a qualquer gosto que for. Uma paisagem. Algo que fica entre seus olhos e a parede.
E por pensar assim, assim me senti. Um empecilho entre as pessoas que de mim gostavam e as minha ambições.
Decidi que não ia concertar o quadro. Como eu, ele não merecia o aborrecimento.
Mas antes da ideia amadurecer na minha cabeça, um sorriso tímido que recebi no parque me veio a cabeça. Não me lembrava o rosto da garota. Só me lembrei que nossos olhos se cruzaram momentaneamente e ela sorriu docemente.
Levantei, peguei meus sapatos e concertei o quadro.
Mais importante que isso, eu quis concertá-lo. Eu tinha controle da minha vida novamente. Agora, não era algo no meio de muitas coisas maiores ou mais importantes. Eu era eu, o quadro estava no lugar, meus problemas eram apenas problemas.
Resolvi um deles.
Tudo que precisava era uma mudança de perspectiva. Um quadro torto, uma porta emperrada, uma comida queimada, qualquer coisa que não estivesse bem para que eu pudesse ver que não sou só eu que tenho problemas. E que nenhum problema faz de alguém menos pessoa.
Afinal, o quadro estava torto, mas a montanha não ligava.
Eu alinhei o quadro e ele me concertou. E mantemos essa rotina sempre, nos encontros da escada que range.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Joker. Ysmaliwr. Fear na gcrúb

O coringa.
Sabiamente pisando descalço num caminho buscando conhecimento. Não o conhecimento intelectual, mas aquele cachorro selvagem do conhecimento animal. 
Tudo que brilha é eternamente brilhante a esses olhos. Chamar atenção é a intenção. 
Digno de uma inteligencia intuitiva, fresca, crua. Tão crua que é uma loucura. 
Eternamente pulando de precipícios, sempre com a certeza de que não se machucará. Saindo da boca de crocodilos sem um arranhão, pulando de provocação em provocação sem sequer um corte na mão. 
Nunca atrás de cortinas ou panos. O cenário desaparece. O coringa é o protagonista de todas as histórias. Da dele e dos outros.
É grande. Não quando brilha, mas porque brilha.
O palco sempre foi dele, sempre será. Não teria como gostar de outro modo de vida.
Sempre a beira do cais, sendo várias pessoas. Guardando o verdadeiro para si. 
Suas brincadeiras são maldosas. Mas justas. Não existe coringa que faça sua traquinagem a quem não merece.
O coringa lidera correndo o caminho. Seguem-o os sábios e os que conseguem. 
Os coringas são pessoas grandes. Daquelas que nunca foram pequenas, pois o que eram por dentro não cabia na casca. 
O coringa é o começo e o fim, qual dos dois só ele sabe.
Não tem donos, não gostam dessa lama.
Se sentam as mesas reais, todas enfeitadas com pratos e talheres reluzentes. Tudo que possa refletir seu brilho. 
Tudo a sua volta é eternamente lindo, enquanto o reflete. 
Vermelho, muito vermelho. Não para chamar a atenção, mas para manter, para instigar, para que vejam o brilho. 
Todo o seu ser é divino, intocável, ilimitado, exuberante. Nada nem ninguém segura um coringa.
O coringa pisa seus pés descalços e decididos em todos que são foscos. E perto dele, todos são. 
Louco, é o que dizem.
Sábio, é o que sou. 


quinta-feira, 27 de junho de 2013

Escolhi hoje, o dia que nasci, para contar uma história que muitos acham contrária ao sentimento de aniversário. E de fato, é uma antítese. Escolhi contar uma história que termina com um personagem a menos.
Dizer que eu me lembro dela com todos os detalhes seria uma mentira. Eu era pequeno, distraído e vivia correndo pelos cantos.
Se fosse qualquer outro dia que não esse, o meu eu criança teria acordado tarde e cheio de preguiça diante do dia. Mas não era. Era O dia. Eu só não sabia disso ainda.
Acordei cedo. Ou pelo menos, cedo para o que me era normal. A cozinha de madeira rangente já estava cheirando a chá quando desci, de pijama e cheio de sono. A casa estava estranhamente vazia. Seis pessoas moravam nessa casa, a madeira agradecia o descanso que tinha quando nenhum dos pares de pés pisavam-a sem piedade. Naquele dia, porém, a casa inteira parecia ansiar por movimento.
Olhando pela janela da cozinha, que dava para o quintal, era possivel ver que os membros da casa estavam despreocupadamente tomando café da manhã na grama. E cinco logo viraram seis, quando um eu criança atravessou o quintal correndo até a toalha, perturbando momentaneamente o silencio que dava uma sensação de paz ao momento. Tomei meu lugar de sempre, no colo do meu pai. Era um dia ensolarado, raro na região.
A refeição foi feita e retirada. Os pratos foram lavados, secados e guardados. Sob apelos de uma criança que tinha energia de sobra, os irmãos se reuniram para passear a cidade toda. O pai ficou. Ele sempre ficava. Nas poucas vezes que saia, não ia longe. Não por ser demasiadamente idoso ou teimoso. A algum tempo, grande parte da alegria lhe fora roubada. Sua mulher o deixou. Ninguém nunca entendeu o que viram um no outro, para começo de conversa. A mulher era ranzinza, gritalhona e rude. Ele, calmo, discreto e tão gentil quanto o vento que sopra o rosto na primavera.
Desde que ela se foi, ele passou a ser como um dos quadros da casa. Poderia ser visto fora dela, mas faria imensa falta na decoração.
Pouco antes de escurecer, meus irmãos deixaram o meu eu criança na porta de casa antes de saírem para encontrar com as moças na praça. Eu, inocente e animado que sempre fui, entrei correndo casa a dentro, pouco notando as pequenas diferenças. Alguns quadros fora do lugar, um vaso derrubado e a sua água caída no tapete. Não, minha mente apressada de criança não computou nada disso.
Mas a cena que era apresentada a minha frente na sala ficou tão gravada em mim que me dividiu em dois.
No sofá de 4 lugares, estava deitado o homem que eu mais amei durante a minha vida toda. Meu pai, pálido e sujo de todos os tons de sangue que pode-se imaginar possível, os olhos fechados e o corpo imóvel.
Dizer que me lembro de qualquer outra coisa depois disso seria mentira. E acho que só tenho a agradecer por não lembrar. Eu sei o que aconteceu, entenda. Mas sei que essa memória não é minha, apenas foi formada pela minha imaginação quando me contaram o fato.
Levaram-o ao hospital quando voltaram da praça. Eu não o larguei até que a ambulância o levou. Ainda estava vivo e isso era a única esperança dos meus quatro irmãos.
Eu sabia. A casa sabia. Os homens da ambulância sabiam. Meu pai sabia. Aquele dia seria seu último. A casa rangeu um adeus dolorido. Os homens da ambulância nos olhavam com pena e um pequeno desespero.
Aquelas paredes brancas do hospital foram testemunhas de preces muito mais sinceras dos que as ditas em igrejas. Eram 5 apelos individuais, desesperados, chorosos e tempestuosos que nunca foram pronunciados, mas eram mais claros do que qualquer palavra que pudesse ser dita no momento.
Sei que pedi que ele voltasse. Sei que chorei por toda a estadia naquela sala de espera. Sei que quando sai dela, com meus avós me carregando, deixei um pedaço de mim lá dentro. Assim, escondido na sombra de um vaso, pra ninguém achar.
Não tive tempo de absorver nada do que havia acontecido. A mulher que matou a primeira parte do meu pai agiu rapido demais. Ela nos colocou no primeiro avião para sua casa, sem nos dar tempo de dar adeus a nada nem ninguém.
Foram as 18 horas mais longas de todos os meus 19 anos. O garoto inquieto e energético que fui ficou naquela sala de espera. Minha cabeça continuava o mesmo mar agitado que sempre foi. Mas agora, pegava fogo. Era o mar de um lugar impossível de se viver.
Devo dizer que o que seguiu não foi bonito. Mas ter outras dores para doer ajudou, um pouco. Não tinha tempo para pensar em nada do que aconteceu antes de chegar ao país onde minha mãe morava.
Nada se falava dele. Nenhuma foto, lembrança, palavra. Nem mesmo entre os irmãos. Mas entre nós, palavras eram apenas enfeites. Sabíamos exatamente a dor que cada um sentia e nos ajudávamos da melhor maneira que os nossos "eu" quebrados podiam.
Da casa que rangia não pudemos levar nada. Ela foi vendida com uma rapidez assustadora. Qualquer lembrança ou objeto que tivesse sua essência no meu pai foi afastada da nova casa.
Mas ninguém impediu que a informação de uma pedra de mármore fincada no chão chegasse aos nossos ouvidos. E foi ela que mais doeu. Estilhaçou o que já estava em pedaços. Não era uma despedida, como minha mãe queria que fosse.
"Que as estradas se estiquem para te encontrar
Que o vento sopre sempre as suas costas
Que o sol seja sempre morno em sua pele
E que a chuva caia suavemente sob suas terras.
Até que nos encontremos novamente,
que Deus o tenha na palma da mão"
Era um até logo.