O coringa.
Sabiamente pisando descalço num caminho buscando conhecimento. Não o conhecimento intelectual, mas aquele cachorro selvagem do conhecimento animal.
Tudo que brilha é eternamente brilhante a esses olhos. Chamar atenção é a intenção.
Digno de uma inteligencia intuitiva, fresca, crua. Tão crua que é uma loucura.
Eternamente pulando de precipícios, sempre com a certeza de que não se machucará. Saindo da boca de crocodilos sem um arranhão, pulando de provocação em provocação sem sequer um corte na mão.
Nunca atrás de cortinas ou panos. O cenário desaparece. O coringa é o protagonista de todas as histórias. Da dele e dos outros.
É grande. Não quando brilha, mas porque brilha.
O palco sempre foi dele, sempre será. Não teria como gostar de outro modo de vida.
Sempre a beira do cais, sendo várias pessoas. Guardando o verdadeiro para si.
Suas brincadeiras são maldosas. Mas justas. Não existe coringa que faça sua traquinagem a quem não merece.
O coringa lidera correndo o caminho. Seguem-o os sábios e os que conseguem.
Os coringas são pessoas grandes. Daquelas que nunca foram pequenas, pois o que eram por dentro não cabia na casca.
O coringa é o começo e o fim, qual dos dois só ele sabe.
Não tem donos, não gostam dessa lama.
Se sentam as mesas reais, todas enfeitadas com pratos e talheres reluzentes. Tudo que possa refletir seu brilho.
Tudo a sua volta é eternamente lindo, enquanto o reflete.
Vermelho, muito vermelho. Não para chamar a atenção, mas para manter, para instigar, para que vejam o brilho.
Todo o seu ser é divino, intocável, ilimitado, exuberante. Nada nem ninguém segura um coringa.
O coringa pisa seus pés descalços e decididos em todos que são foscos. E perto dele, todos são.
Louco, é o que dizem.
Sábio, é o que sou.
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